...e diga-se de passagem não fiquei fã...

Passo a explicar, ao jeito do Paulo Bento. Correr, ATLETISMO. Fazer subidas a andar, e num dos casos ter a necessidade de recorrer a por as mãos no chão, MONTANHISMO. Mais, percursos mal sinalizados que me obrigam a correr mais 2km, ORIENTAÇÂO.
O objectivo era fazer um treino longo com companhia, no meio do pelotão. Com os efeitos da constipação ainda a fazerem-se sentir, não tinha intenções de forçar o ritmo. É certo que abusei no 1º km (4:31) mas logo refreei o passo, e fiz a primeira subida a pé, a conselho de gente mais ajuizada e experiente.
Os quilometros que se seguiram - do 3º ao 11º - foram o que de melhor guardo da prova. Apesar de em termos trajecto, ter zonas complicadas com areia solta, vegetação aguçada e uma surreal travessia da linha de comboio..., gostei de correr junto à Lagoa de Óbidos em pleno pôr do sol e ver carpas (?) a saltar na lagoa indiferentes a quem corria.
Chegado ao ponto de separação entre o percurso curto e o longo é que começou o martírio. Para começar, tive o azar de ficar isolado. Todos os atletas que tinha em mira eram da prova principal (trajecto longo). Embrenhado no meio da mata, entre o km 12 e 13 defrontei-me com duas subidas (e respectivas descidas...) que apenas serviram para dar cabo de uma pessoa. Numa delas, vi-me tão aflito que peguei num pau para me apoiar, e mesmo assim tive de recorrer a por as mãos no chão para conseguir progredir.
Como se não bastasse ter perdido completamente o ritmo com a história das subidas, de seguida fui confrontado com uma bifurcação no percurso, em que ambos sentidos tinham indicações. Optei por aquele que tinha a fita branca e vermelha, pois tinha sido, até aí, a referência seguida. Andei uns bons 700 metros até que encontrei um atleta já desorientado, junto a uum cruzamento,a dizer que já tinha ido para todos os lados e não encontrava nenhuma marcação. Demos meia volta e juntaram-se a nós mais dois atletas que também tinham feito a nossa opção. Resultado, se aos 5 km e aos 10 km o GPS indicava uma distância aproximada (diferença de cerca 200m), na tabuleta dos 15 km o meu garmin marcava 16,7 km, ou seja, a brincadeira tinha custado 1,5 km e cerca de 7 minutos.
Mas não ficaram por aqui os motivos do meu desagrado com a prova. No segundo abastecimento, havia água...garrafões...mas não havia copos!!! Enfim, com as mãozinhas que andaram no chão bebi uns goles e segui caminho. Desta vez, já integrado num grupo grande de atletas, voltei a enganar-me no trajecto, resultado aos 20 km o gps marcava 22,2 km.
A parte final era novamente muito acidentada. Sentia que muscularmente já estava nos meus limites, e com receio de me aleijar, optei por fazer a pé uma parte de uma longa subida. Retomada a corrida, decidi também que, assim que chegasse aos 24 km (a distância prevista para o treino), parava e fazia o resto a andar. Coincidência ou não, o que faltava, era a subida ao Castelo, o que dificilmente teria conseguido fazer a correr mesmo que quisesse tal era o empeno!
Em suma, 2h19 depois, cheguei ao fim. Para trás ficou o meu maior treino em termos de tempo (anteriormente, à uns bons 17 ou 18 anos, fizera um treino de 1h5o, isto porque fizera gazeta na sessão da manhã, e à tarde juntei os dois treinos...mas nessa altura, isso terá representado mais de 25 km...).
Óbidos que me perdoe mas para o ano não contem comigo. A culpa não é da prova. Quem aprecia este género de provas certamente terá uma opinião diferente, mas para mim, trail "It's not my cup of tea".
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