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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TCS New York City Marathon 2015

Para quem, como eu, nunca tenha visitado Nova Iorque e esteja a pensar correr a maratona, aqui fica o aviso: não sendo impossível, conciliar as duas coisas é um enorme desafio!


Tudo começou com a viagem. Saímos na 4.ª feira de manhã, por volta das 11 horas. Escala em Madrid por questões orçamentais, seguida de uma longa jornada de mais de 8 horas até aterrar no aeroporto JFK. Passar controlo, bagagem, apanhar táxi...quando chegámos ao hotel, pouco mais houve a fazer que ir comer qualquer coisa perto e...cama.


Quinta e sexta, foram dias de muitos quilómetros palmilhados. Levantar dorsal, visitar a feira e iniciar a descoberta da cidade: Times Square, China Town & Little Italy, Wall Stret, Memorial do 11 de setembro, Empire State Building, Docas do East River, etc.

Sábado de manhã, viagem de ferry até a State Island com duplo intuito: simulação do trajecto e dos transportes necessários para chegar a tempo à partida no dia seguinte, aproveitando para ver a Estátua da Liberdade.

Com as pernas feitas num oito pedi licença à comitiva e baldei-me ao programa da tarde: Macy's, Central Station e Edifício da Chrysler.

No domingo, a alvorada foi dada às 4h45, uma hora antes da hora prevista para apanhar o ferry. Por sorte, a hora em NY mudava nesse dia (01 de novembro), o que significou mais uma hora na cama.

Dado que a partida era só às 9h50, a espera foi estrategicamente feita dentro da estação do ferry, retardando ao máximo a ida para rua para apanhar o autocarro que nos levou até à ponte Verrazano.


Em relação à prova em si, gostaria  de começar pelo «plano de corrida». Depois do que se passou em Roterdão (a falta de um plano B...), fui para Nova Iorque com objectivos graduados. O objectivo ambicioso era baixar as 2h57. O ritmo de marathon-pace (6:43/mi) tido como referência ao longo da preparação era para 2h55, mas teve sempre subjacente a necessidade de uma margem de 4 minutos por causa das dificuldades do percurso. O objetivo principal era baixar as 3 horas, mas desta vez, era ponto de honra, ter um objectivo tipo "serviços mínimos" e que obviamente era bater o meu recorde pessoal (3:05:01).

Em relação à estratégia para a prova, a mesma assentou em 4 pontos básicos:

1. Dado que a primeira milha era a subir e a segunda a descer (ponte Verrazano), defini que o tempo acumulado das duas milhas se devia ser de 14 minutos (média 7 min à milha).

2. A primeira meia maratona teria de ser feita da forma mais confortável possível sem qualquer pressão para um tempo de passagem específico.

3. Não forçar na subida da ponte do Queensboro e resistir à tentação de embalar na descida (milha 15-16) e posteriormente NÃO acelerar na Primeira Avenida (milha 16-18) por causa da euforia transmitida pela multidão que está a assistir.

4. Depois de passar a milha 20, pura e simplesmente "aceitar a dor" e esperar que o doping emocional (planeada um último avistamento da família por volta da milha 23-24) fizesse efeito.

E como é que executei essa estratégia?

Pois bem:

Ponto 1. Acertei na mouche, fiz 14 minutos exactos com um parcial 7:15 (a subir) e 6:45 (a descer).

2. Outro ponto que cumpri na perfeição, cheguei "fresco" à meia maratona (passagem 1:29:45). Fiz por não olhar para os parciais à milha que o Garmin me ia dando. Apenas em algumas placas olhei para o tempo total e mentalmente assegurei que o tempo acumulado que eu tinha era inferior a 7 vezes o número da milha em que estava.


3. Temi demasiado a ponte do Queensboro. A subida, apesar de longa, não foi tão difícil como eu esperava. Fiquei com a sensação que não era necessário ter sido tão conservador, poderia ter passado 1 minuto, 1 minuto e meio, mais rápido à meia maratona. Fiz a descida com cautela e resisti ao choque de adrenalina que sente com a entrada na Primeira Avenida.



Se resisti a esse primeiro impacto, já não fui tão bem sucedido quando, pouco antes da milha 18, avistei a minha mulher e o meu filho. Até aí segui no grupo do pacer das sub-3 horas, mas com excitamento, quando dei por mim tinha ganho um avanço considerável. Tal foi sol de pouca dura, pois quando entrámos na zona de Harlem (milha 20) fui passado pelo grupo do pacer e a luta mental começou.

4. A passagem na Quinta Avenida é desafiante, na prática são quase duas milhas (23-24) de subida ligeira mas contínua. Apesar de ter conseguido ultrapassar os demónios (pensamentos negativos) do Harlem/Bronx, por mais que eu dissesse às pernas para continuarem a andar, o ritmo por milha estacionou acima dos 7 minutos...

Entrei no Central Park consciente que as sub-3 horas já não eram possíveis. Ainda assim, havia que trabalhar para cumprir os "serviços mínimos". Prova superada, a nova melhor marca passou a ser de 3:03:05 (ou seja o Kimetto dá-me mais de 1 hora de avanço... :p ).


Por ser difícil por em palavras o quão especial esta experiência foi e retratar todas  as emoções vividas, optei por fazer esta crónica com um distanciamento suficiente para que ficasse apenas restringida ao registo típico de "caderninho de registo de treinos" que este blogue tem.

Mas deixo-vos a sugestão, podendo, a maratona de Nova Iorque é A prova a fazer!


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Maratona de Roterdão...e a falta de um plano B...

Foram cerca de 6 meses a treinar com um objectivo em mente - baixar as 3 horas. O resultado desejado não foi atingido, fica o consolo de que o "trabalho" foi feito.

Até à última semana antes da prova, pese embora um ou outro percalço, consegui cumprir significativamente o plano de treinos que tinha idealizado. Independentemente de ter sido azar ou responsabilidade minha, a verdade é que um evento (paragem de digestão) ocorrido a 6 dias da prova terá provavelmente condicionado significativamente o desempenho no dia da prova.

Mas vamos à crónica:

A semana antes
Tudo corria perfeito. Treino no domingo, easy, 12 km com 4:34 ao km de média, a acabar a ritmo da maratona. Segunda, idem, 8 km a 4:30 ao km, sempre progressivo. Sensações boas, facilidade a correr e acima de tudo a sentir o corpo "fresco". Até que janto e passado uma hora começo a sentir-me mal. Daí até 5.ª feira à tarde foi um suplício. Febre, mau estar e dor de corpo. Nesses dias imaginei sempre se a prova fosse no dia a seguir se conseguiria correr. A resposta foi sempre negativa. Na quinta feira à noite, quando já me sentia ligeiramente melhor, tive de ir ver como é que o corpo reagia a correr. Foram 6 km, que começaram a 4:55 e terminaram a 4:12, o que de certa forma foi motivador, por outro lado o nível de esforço patenteado indiciava que o corpo tinha ficado debilitado. Sexta foi mais um dia de "descanso" e apesar de não ter a situação gástrica solucionada, pelo menos o mau estar já não estava presente.

O dia antes
Seja pela excitação da proximidade da prova, do frenesim que todas as questões logísticas que envolvem estas provas (levantamento do dorsal, ida para o hotel, refeições, descanso, preparação da roupa, etc) a verdade é que o dia passou-se e eu senti-me bem e pus completamente para trás os problemas da semana.

A falta do plano B
Com alguns dias de distância, analisando objectivamente tudo o que se passou, terá sido aqui que residiu o problema. Ao pensar que tudo se tinha composto, apenas levei para a prova UM plano. Correr desde do tiro de partida para baixar as 3 horas. Manda a prudência definir níveis de objectivos, no meu caso, atendendo ao que se tinha passado na semana anterior, era uma questão de mero bom senso.

A prova
Aqui entramos na área dos "ses"...se tivesse sido mais conservador na abordagem da prova, com uns primeiros kms mais lentos...mas não foi assim, a verdade é que o tiro de partida foi dado e eu senti-me bem e corri "on feel". Passei aos 10 km em 41:26, e pouco antes de chegar aos 45 minutos senti pela primeira vez incómodo no estômago, e essa sensação permaneceu comigo até por volta dos 18 km. Apesar de estar a "passar mal" fiz tudo por manter-me a correr no ritmo de referência [4:12 / 4:15]. Depois dos 18 km, desapareceram as sensações de incómodo, e assim fui até cerca dos 24 km. A passagem à meia maratona em 1:28:31, não sendo a idealizada (1h27), acabou por ser um tónico positivo, as sub 3 horas não estavam comprometidas.

A segunda vez que passei mal, durou menos tempo (entre os 24 e os 26 km) mas a oscilação entre pensamentos positivos e negativos já me tinha sentenciado a prova, começara cedo de mais a correr "em esforço mental". Aquilo que é suposto ser uma prova de superação mental a partir dos 30 km começara cedo de mais. À terceira vez, por volta dos 33 km, foi de vez. Aos 34 km parei...daí em diante liguei o modo de «auto-preservação», apenas queria chegar à meta o menos "avariado" possível em termos físicos, já que mentalmente...

Na altura em que parei, ainda era muito plausível que fosse capaz de correr bem abaixo do meu recorde (3h05), mas esse desempenho não fazia parte de nenhum plano, menos 3 horas ou nada...

Roterdão, e as altas expectativas criadas por Berlim
A maratona de Roterdão foi a minha quinta maratona, sendo a terceira que fiz no estrangeiro. Se a primeira fora de portas (Málaga) foi uma maratona "pequena", a seguinte em Berlim, tratando-se de uma World Major, elevou de tal maneira a fasquia, que fez com que Roterdão me desiludisse em todos os aspectos quando comparada com Berlim.  Até mesmo na questão do percurso plano, as passagens na ponte e nos viadutos fazem com que me pareça que Berlim é bem mais equilibrada que Roterdão, já para não falar da questão climatérica, em que o vento foi algo que se teve que ter em conta na gestão da corrida. Admito que provavelmente teria outra opinião se tivesse Roterdão antes de ter feito Berlim.

O lado bom da experiência
Estive estes dias em Roterdão, e posteriormente em Amesterdão, na companhia de outro perseguidor das sub 3 horas. Felizmente o Bruno conseguiu o seu objectivo. Foi bom ver alguém que se entregou com igual ou maior dedicação ser recompensado pelo trabalho de meses.

Fecha-se este capítulo. Venha a pista. Lá para o Verão haverá novidades acerca de uma nova maratona.

Em jeito de teaser, apenas dizer que ao contrário do Leonard Cohen, first I taked Berlin then I will take...

***



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

BMW Berlin Marathon | One is done, five to go


Eu e as maratonas. Tudo começou em 2011. Uma pubalgia fez com que eu antecipasse a minha primeira maratona. Logo nessa altura, assumi o compromisso de querer correr uma maratona por ano, e, de preferência, sempre em locais diferentes. Só mais tarde fiz uma adenda  a esse compromisso, e que se tornou num «projeto de vida», a intenção de correr as seis World Majors Marathons! Haja saúde e dinheiro...

Berlim foi a primeira etapa. Tudo começou com a pré-inscrição. Primeiro, a desilusão de não ter sido sorteado. Depois, a excitação de ter sido aceite na segunda escolha. O objetivo ficou estabelecido. Baixar as 3 horas. Ambicioso mas exequível. Foram seis meses de preparação. Nos primeiros três meses, a palavra de ordem foi melhorar em todas as distâncias mais curtas. Prova superada. Estabeleci recordes pessoais em todas as distâncias que corri em pista: 400m (62,43); 800m (2.15,68); 1500m (4.34,00); 3000m (9.56,77); 5000m (17.33,9); e 10.000m (37.31,62). Nos outros três meses, o treino incidiu especificamente na preparação para a maratona. A menos de três semanas da prova, o azar bateu à porta. Lesão no tendão de aquiles. Houve dias em que dei tudo como perdido. Felizmente foi possível tratar ou pelo menos atenuar a lesão, mas a confiança ficou afetada.

Serve o texto acima para contextualizar a descrição que farei de seguida da minha participação na maratona de Berlim.

O antes da corrida

A necessidade de conciliar a participação na prova com uma viagem turística em família, minimizando ao máximo o número de dias em que o meu filho faltaria à escola, fez com que, contrariamente ao que é recomendável, viajasse para Berlim apenas no dia anterior à prova. Assim, o dia antes da prova foi tudo menos calmo. Acordar cedo (5h30), viagem, deixar a bagagem no hotel e ir a "correr" para a Feira do Evento levantar o dorsal.

Para meu azar, a feira era o sonho de qualquer atleta com stands e m2 a perder de vista de material desportivo. Resultado, uma canseira que era (in)dispensável...felizmente tive o bom senso de fazer um lanche ajantarado na própria feira (sim, bem sei que é kitsch mas a escolha recaiu na inevitável massa) e com isso "ganhei" algum tempo de descanso. No domingo, acordei novamente às 5h00 (6h00 alemãs). Pequeno almoço no hotel e às 7h15 locais saí para rua e tive o primeiro contacto com o tempo "fresquinho" (na altura estariam uns 8.º). A deslocação de metro e depois a pé e os preparativos pré-corrida (deixar a roupa no bengaleiro e ir à casa de banho) foram de tal maneira demorados que quando comecei a deslocar-me para a minha zona de partida (sector E - atletas com tempos entre as 3h15 e as 3h30) já só faltavam 10 minutos para partida. Na prática foi o meu aquecimento, pois fiz o percurso do bengaleiro até à entrada da zona da partida a trotar. Porém, não estava à espera que o afunilamento de atletas fosse tão grande e reconheço que na altura stressei um bocado quando percebi que a partida tinha sido dada e eu ainda nem sequer estava dentro da zona da partida. Apesar de tudo, nem tudo correu mal. Após entrar, tive o bom senso em deslocar-me para o lado esquerdo da zona da partida que claramente estava mais desafogado que o lado direito. Passado cerca de 2 minutos do tiro de partida estava eu a pisar os tapetes de ativação do chip e a começar a correr.

Os primeiros kms, corres o que te deixam não o que tu queres

A partida não diferiu muito de outras corridas com grande participação em que já estive. No entanto, cedo percebi que, apesar de ser impossível furar o pelotão que seguia à minha frente, a homogeneidade do nível dos atletas correspondeu aos meus intentos, segundo o meu garmin, apesar de ter corrido "tapado" pela imensidão de participantes à minha volta, o primeiro km foi corrido em 4:18/km.

A concentração de atletas fez com que os primeiros kms fossem corridos ao ritmo a que o enxame de atletas permitia e não ao ritmo a que provavelmente teria imposto, caso tivesse caminho aberto.

Depois da lesão e da falta de confiança que sentia em relação ao tendão, não alimentei grandes expectativas em relação à prova. Talvez por isso, não tenha perdido grande tempo a pensar em estratégias de corrida para eventuais diferentes cenários de desenvolvimento da prova. A única certeza que tinha, era a de que queria correr os primeiros 5 km a um ritmo ao km mais lento que o ritmo ao km que levava como referência para as 2h59 (4:16/km).

Esta sensação de impotência de não conseguir controlar o ritmo da "minha" corrida, em condições normais ter-me-ia deixado bastante stressado mas como continuava apreensivo em relação ao tendão (deu sinal de vida no avião, terá sido da altitude?) nem me preocupei. Aliás, cedo comecei a mentalizar-me que o importante era chegar aos 30 km em condições, independentemente da marca para que fosse. Era o nivelar por baixo das expectativas. Se conseguisse chegar ao fim sempre a correr, havia a quase certeza que pelo menos o recorde das 3h15 era batido.

«Ver as vistas», os sentidos e o «doping emocional»

Facto curioso. Contrariamente ao que eu pensei, a Maratona de Berlim não se proporciona a uma oportunidade de «ver as vistas» da cidade. No meio daquela molde humana, atletas, mas principalmente, público a apoiar (li algures que terão estado cerca de 1 milhão de espectadores nas ruas de Berlim), faz com que sensorialmente o sentido mais estimulado ao longo do percurso seja a audição em vez da visão. Os cheerings do público (a minha vénia aos dinamarqueses, finalmente vi uma nação ainda mais entusiasta que os espanhóis) e as imensas bandas ao longo do percurso (grande impacto, os grupos de percussão com tambores) são uma constante ao longo de todo o percurso. Foi rara, ao longo de todo percurso, a sensação de silêncio.

Por falar em sentidos, adoptei nesta corrida diversas estratégias mentais para superar a distância. Uma delas envolveu o tacto. Comprovei in loco o que já por diversas vezes tinha lido, corresponder aos "high five" do público, em particular das crianças, faz-nos esboçar um sorriso que parece tornar a corrida mais fácil.

Outra das estratégias, foi a escolha do local onde tentaria avistar a minha mulher e o meu filho. Lá estavam à passagem da 1/2 meia maratona e aos 37 km (dois pontos relativamente próximos em linha recta) e que funcionaram como "doping emocional".

Companhia lusa, da Nazaré

Os km foram se sucedendo, passagem aos 5 km em menos de 22 minutos, aos 10 km em menos de 44 minutos, mantinham-me a menos de 1 minuto de atraso para os tempos de passagem das 2h59, o que era um intervalo que eu admitia, num dia bom, realizando um negative split, ainda ser possível correr abaixo das 3 horas.

Por volta dos 16/17 km encontrei um atleta da Nazaré. Metemos conversa. Partilhámos as nossas agruras, ambos nos lesionámos nas últimas semanas antes de Berlim. E fomos juntos até para lá da 1/2 maratona. Se por um lado, foi agradável ter companhia durante algum tempo, por outro, a partida de determinada altura comecei a ter a sensação de que estava a correr a "corrida" de outra pessoa. Bastou uma ligeira picada no tendão, para que eu decidisse ficar no meu ritmo e deixar a companhia lusa seguir e puxasse do brufen que tinha levado em caso de s.o.s.

A prova começa aos 30 km

Atingi os 30 km com 2h10'34. Já levava um avanço de cerca de 3 minutos em relação a Málaga. Mas um pormenor fez toda a diferença. Desta vez, consegui chegar a esta fase com a atitude mental de que a prova ia efetivamente começar a partir desse momento. Quando cheguei aos 33 km, tive o kick de já só faltarem menos de dois dígitos para concluir a prova. Até me pareceu que tinha conseguido acelerar o ritmo, mas a verdade é que os parciais da prova me desmentem...

Nos últimos 5 km as dificuldades aumentaram.  A estratégia adotada foi dedicar cada um dos km seguintes a uma pessoa. Pais, irmão, filho e mulher foram as escolhas óbvias.

O «muro» tardou, mas sempre apareceu

Se há cidade em que é apropriado falar em muro, essa cidade é Berlim. No meu caso, o «muro» apareceu aos 40 km. Os dois últimos km foram bastantes difíceis em termos físicos. Surgiram-me ameaças de câimbras que exigiram força mental para resistir a tentação de parar.

O momento por mim mais aguardado de toda a corrida era sem dúvida a aproximação às portas de Brandenburgo. Propositadamente evitara passar junto das mesmas no sábado para que ao longo da corrida tivesse sempre presente essa "obrigação" de chegar às portas. Se chegasse era garantido que tinha a meta à minha mercê.

Curiosamente, foi precisamente aí que me aconteceu uma situação insólita. Ao aproximar-me das portas dei conta de um fotografo da Marathon Photo. Apesar de achar que se trata de um roubo os preços por eles praticados, lá fiz por tentar aparecer de forma cool nalguma foto. Porém, ao levantar os braços com os dedos em "v" de vitória tive imediatamente uma câimbra na perna esquerda que me fez ficar agarrado à perna. Foram breves os segundos de pânico, mas cheguei a imaginar-me a ter que ir até à meta a coxear. Felizmente o espasmo foi momentâneo. A brincadeira ter-me-á custado alguns segundos que teriam sido preciosos para que eu tivesse baixado as 3h05.

Conclusão

Foi sem dúvida uma experiência muito satisfatória, que correspondeu às muito altas expectativas que eu tinha. O resultado não foi o inicialmente desejado, mas atendendo às últimas duas semanas, fiquei bastante satisfeito com o meu resultado.

***


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Maratona de Málaga | Um passo atrás (será de balanço?)...

Concluí ontem a minha terceira maratona. O resultado final (3h18m34s) não me satisfaz pois não atingi o principal objectivo a que me propus, baixar das três horas e dez minutos.

Considero que foi um passo atrás, não pelo resultado em si, mas por não ter sido capaz de concluir a prova sem parar. Na primeira maratona (Lisboa 2011), parar foi consequência da inexperiência na distância. No ano seguinte, no Porto, ter feito toda a maratona a correr foi o aspecto mais significativo para mim, e que simplesmente garantiu a melhoria do resultado final (3h15 vs 3h31). Chegar à terceira maratona e não saber fazer a correcta gestão de esforço, é de maçarico!

O pré-maratona
A semana que antecedeu a prova foi vivida com grande ansiedade. Na terça feira surgiram os primeiros sinais de reaparecimento da lesão no tendão do adutor da perna esquerda. Na quinta feira, suaves 7 km a mais de 5 minutos ao quilómetro foram feitos com bastante incómodo. Na sexta feira, quando parti para Espanha, ia com grande apreensão, tal era  a possibilidade de chegar a Málaga e não estar em condições de correr.

Dividi a viagem em duas etapas: primeiro fui até Sevilha, onde pernoitei de sexta para sábado (com muitas sessões de gelo à mistura, acabei por dormir 11 horas!). No dia seguinte segui para Málaga onde cheguei à hora de almoço. Levantei o dorsal, dei uma volta pela cidade e quando me preparava para regressar ao hotel, fui sujeito a um stress que dispensava de todo. Fiquei preso mais de uma hora num trânsito caótico, tendo tudo culminado com um toque no carro.

Dormi cerca de seis horas e às seis da manhã (cinco nossas) estava a pé. Quer tenha sido pelos anti-inflamatórios, ou pelo bio-freeze / gelo, ou simplesmente pela adrenalina da competição, a verdade é que no domingo não senti qualquer incómodo no adutor.

O percurso e o clima
Nada a apontar. Um percurso praticamente plano e um clima perfeito para correr. A temperatura rondou os 8º/9º à partida e os 15º/16º à chegada, o que permitiu que corresse de t-shirt de competição de alças sem frio ou calor. Apesar de grande parte do percurso ser feito em zona marítima, o equivalente à nossa marginal, o ligeiro vento que se fez sentir, quer a favor quer contra, não teve influência.

Os primeiros kms
Saí da boxe das 3h15. Havia pacemakers para as 3h, 3h15, 3h30 e assim sucessivamente até às 4h45. Fiz um primeiro km despreocupado com a questão do ritmo apenas tentando posicionar-me em terreno livre para correr. O garmin assinalou 4'23''. Fui tirando a pinta aos corredores que seguiam à minha frente e acabámos por naturalmente nos juntarmos 3 com a pretensão de correr para 3h10. Segundo km em 4'21'' e terceiro em 4'20''. Estava a correr cerca de 7/8 segundos mais rápido que o pretendido (4'28''/4'29'') mas sentia-me confortável. Por esta altura passou uma atleta espanhola que ia autenticamente a tagarelar aquele ritmo e colei a ela porque normalmente mais facilmente se formam grupos à volta das senhoras. Os kms continuaram a suceder-se a um ritmo muito estável 4'17'' ~ 4'24'' até aos 14 km.


O erro táctico que ditou a prova
 Entre os 14 e 15 km passámos junto à zona da partida / meta e o percurso nessa altura faz uma inflexão para o centro histórico da cidade Málaga. A maior afluência de público e sugestivos «Animo Laura!» que se ouviram nessa altura fizeram com que a minha "lebre" se entusiasmasse e, de acordo com a altimetria do percurso, era suposto corrermos a um ritmo mais lento para mantermos o mesmo nível de esforço, a mulher espeta um km a abaixo de 4'10''. Meio desorientado, não querendo perder a boleia, vejo-me por um lado a querer seguir e por outro a querer conter. Resultado, nem uma coisa nem outra. Dois km a 4'13'' e um a 4'00'' (efeito descida) e acabei por ficar sozinho.

Consegui estabilizar o meu ritmo sozinho, novamente nos 4'20'' e passei à meia maratona em 1h32'30''. A essa altura pensei seriamente que tinha comprometido a prova com aqueles três kms.


O carrossel de emoções
Apesar de fisicamente não sentir qualquer sinal de desgaste, a mente ficou pela primeira vez enublada com pensamentos negativos. Fui nos quilómetros seguintes a repreender-me por não ter sabido conter-me e não ter mantido o meu ritmo mesmo que isso implicasse ficar sozinho (como acabei por ficar). Foi a primeira fase negra, depois de um 22º km em 4'21'' seguiram-se dois em 4'37''/4'38'', os primeiros corridos acima de 4'30''.

Entre os 24 aos 30 kms fui tentando recuperar o controlo emocional e focar-me simplesmente na acção funcional - correr o mais descontraído possível e tentar não pensar em mais nada. Abro aqui um parênteses para referir que até essa altura, a barreira das 2 horas de prova, cumpri escrupulosamente o meu plano de abastecimento, um gel a cada meia hora, para além dos líquidos que a organização colocou à disposição.

Chegado ao quilómetro 30 com 2h13'42'' (*), e tendo conseguido continuar a "misturar" kms corridos a "quatro-vintes" com outros a "quatro-trintas", convenci-me, literalmente que tinha as sub 3h10 no bolso!

Puro engano! Bastaram dois km para que o estado de espírito de (nova) euforia se esfumasse e finalmente o «senhor da marreta» aparecesse manifestando-se numa dor nos quadriceps como só ainda senti nas maratonas anteriores. Tentei minimizar o estrago antecipando a toma do gel, mas não fez qualquer efeito: 33º e 34º km feitos a rondar os cinco minutos (4'52'' / 4.56'') e o 35º e os 36º já acima dos 5'10'' (5'15'' / 5'16'').

Às 2h43'58'' não resisti e parei. Caminhei durante 1'30'', tomei o último gel, mas já não havia nada a fazer...apenas seguir em registo «correr&andar» até à meta .

Síntese
Apreensão, entusiasmo, nervosismo, confiança, controlo, descontrolo, ambição, burrice, luta interior, euforia, derrota, são tantas as fases porque se passa numa maratona, que nos faz querer voltar até se atingir a (nossa) vitória.

***

Tempos parciais nas placas da organização (difere do gps):

Dist._____Parciais 5 km____Tempo Acum.__Estimativa
05 km | 0:22:08 (4:26/km) | 0:22:08 (4:26/km) | 3:06:47
10 km | 0:21:46 (4:21/km) | 0:43:54 (4:23/km) | 3:05:14
15 km | 0:22:00 (4:24/km) | 1:05:54 (4:24/km) | 3:05:21
20 km | 0:21:56 (4:23/km) | 1:27:49 (4:22/km) | 3:05:17
25 km | 0:22:52 (4:34/km) | 1:50:41 (4:26/km) | 3:06:49
30 km | 0:23:01 (4:36/km) | 2:13:42 (4:27/km) | 3:08:03
35 km | 0:24:51 (4:58/km) | 2:38:33 (4:32/km) | 3:11:09
40 km | 0:28:35 (5:43/km) | 3:07:09 (4:41/km) | 3:17:25


(*) pode considerar-se uma espécie de recorde pessoal de consolação, antes 2h16'36'' em 2011 na passagem a essa distância na maratona de Lisboa.




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Maratona do Porto | A dream come true

Andar na maratona nunca deverá ser entendido como uma desistência. É apenas uma momentânea sobreposição da dor do corpo à vontade da mente.

Se há aspecto a destacar desta minha nova aventura pela maratona foi, ao contrário do que sucedeu em Lisboa no ano passado, ter feito os 42,195 km sempre a correr e ter conseguido enfrentar o «muro» (felizmente no meu caso chegou tarde, aos 38km) e levá-lo de vencida. Por isso, se Lisboa 2011 foi a primeira, a Porto 2012 foi a primeira na plenitude!

(primeira passagem junto da minha «mais que tudo» e do meu filhote, junto à ponte de D. Luís)

The day before
Por motivos profissionais não me foi possível viajar para o Porto na sexta-feira como pretendia, por isso a viagem teve de ser feito no sábado. Saída tardia, como habitual, não sem antes ter ouvido do meu filho a seguinte resposta ao meu incitamento "vamos lá a despachar": - "Pai, qual é a pressa? A corrida é só amanhã." :)

Cheguei ao Porto à hora do almoço, a Paula e o Afonso ficaram no shopping, e eu fui levantar o dorsal e aproveitar para ver a feira e ir à pasta party. O levantamento dos dorsais foi um pouco lento para o meu gosto e a fila para pasta party era desencorajadora, mas quis o acaso que encontrasse o Miguel Paiva (após 4 anos de blogoesfera, we meet at last!) e fizesse com que a espera e a refeição fosse passada agradavelmente a conversar.

As sensações fisicas ao longo do dia, foram as habituais em mim depois de conduzir (sou muita fraquinho, 300 km de carro e fico derreado), pelo que jantei junto ao hotel (novamente massa...) e deitei-me cedo.

The big day
Com tudo preparado de véspera, levantei-me às 7h30, despachei as formalidades higiénicas e alimentares e às 8h15 já estava a caminhar em direção à partida. Primeira constatação: frio e bastante vento, o que não deixa de ser curioso se atendermos que, no dia anterior, uma das minhas preocupações era o calor que se poderia fazer sentir pelo facto da mudança da hora significar que iriamos enfrentar os últimos quilómetros já depois das 13 horas "antigas".

Às 9h00 foi dada a partida e comecei de forma descontraida para passar a subida inicial sem forçar. Na rotunda da Boavista o gps assinalou o primeiro quilómetro em 4:19! Algo de estranho se passava com o meu garmin, tinha a noção de que não era possível ter feito um km tão rápido. Assim que comecei a descer a Av. da Boavista tive a confirmação de que o gps não se estava a dar bem com os ares do Norte...os registos de kms começaram a suceder-se de forma aleatória...ok, plano B, só olhar para o relógio às passagens pelas placas da organização.

Por volta dos dois quilómetros juntei-me a duas atletas da Porto Runners- Janine Coelho e Ester Aires - e assim que ouvi a última comentar que no ano anterior tinha feito 3 horas e 15 minutos, decidi que tinha encontrado a minha companhia para a prova.

Os quilómetros foram passando e eu fui seguindo à risca o meu plano de abastecimento, um gel a cada 7-8 km e beber água (cerca de 1/3 de garrafa de 33 cl) em cada estação. Os primeiros 10 km foram feitos em 44:41 (média 4:28/km). Estava a correr mais rápido do que pretendia (4:35/km) mas era o preço a pagar para ter companhia e, acima de tudo, parecia-me que tinha conseguido controlar o entusiasmo que a descida da Av. da Boavista proporciona.

Aos 14 km deu-se a separação entre os atletas que competiam na family race (15 km) e os da maratona. O ritmo a que seguiamos mantinha-se constante mas após a passagem do castelo da Foz começámos a enfrentar vento contra bastante forte. Por sorte criou-se um grupo mais numeroso de atletas o que me possibilitou ir protegendo do vento. Aos 20 km fui confrontado com a segunda decisão estratégica na gestão da corrida. As minhas colegas de viagem não reagruparam após o abastecimento. O que fazer? Deixar-me ficar para trás para seguir com elas por causa da referência das 3h15 ou manter-me no grupo e assim continuar "protegido" do vento. Optei pela segunda hipótese, e parece-me que foi o mais acertado. O grupo manteve-se unido até passarmos ao lado de Gaia. Aí com vento a favor, cada um foi à sua vida.


A passagem à meia maratona foi feita em 1h36'36''. Mais lento que o ano passado em Lisboa (1h34'18'') mas dentro dos parâmetros que eu admitia (1h35 + 1h40).

Com o vento a favor, a primeira parte do percurso em Vila Nova de Gaia fez-se sem dificuldade, mas assim que iniciei o retorno à ponto de D. Luís, com o vento contra, sinceramente, fiquei à espera que o «senhor da marreta» aparecesse a qualquer momento. Cheguei aos 30 km com 2h17'34'' (em Lisboa passei ligeiramente mais rápido, 2h16'36'', mas foi precisamente onde parei e comecei a andar) e mentalmente interiorizei que a partir dali, desde que eu continuasse a correr, seria sempre a ganhar tempo ao meu recorde pessoal.

«doping emocional»
A escolha do local onde a Paula e o Afonso se posicionaram para me ver passar não foi inocente. Sabia que junto à ponte de D. Luís poderiam-me ver 3 vezes, e dois desses avistamentos seriam feitos numa altura crítica (31-32 km). O contacto visual e os «high five» foram um tónico anímico importante, tal como foi o transpor a placa do 33º km (a partir daqui a contagem decrescente dos km que faltavam passou a ser de apenas um dígito). Nesta fase ter-me-ei entusiasmado em demasia e fiz tudo (pelo menos mentalmente) para acelerar o ritmo que levava. Se foi esse "excesso" ou se foi porque simplesmente tinha de ser, a verdade é que a partir do 38º km comecei finalmente a sofrer. Durante 20 longos minutos vi-me naquela situação típica de desenhos animados de ter um diabinho no ombro a mandar-me parar e do outro lado um anjo a dizer-me: «não pares! continua a dar às pernas!».

«o click final»
Normalmente no último quilómetro de uma prova, mesmo quando vou todo roto, costumo ter a capacidade para reagir e acelerar. Desta vez cheguei à placa do 41 km e...nada. Em plena Av. da Boavista, já em fase ascendente, seguia eu de olhos fechados para literalmente evitar cair na armadilha visual dos pórticos antes da meta, quando ouço uma voz que me pareceu familiar a perguntar a alguém que seguia a seu lado: "se continuarmos neste ritmo terminamos com 3h15?". Abro os olhos e vejo ao meu lado a "grande" campeã Manuela Machado a envergar o balão de pacemaker das 3h15. Aqui estava o click final que eu precisava. Se tinha conseguido fazer a prova toda a frente do pacemaker, não era agora que iria morrer à beira da praia. Fui buscar forças não sei onde e consegui sprintar para meta para ver o relógio marcar 3h15'12'' (tempo líquido 3h15'02'').

O meu contentamento foi tal que mal terminei dirigi-me ao quiosque da Superbock e bebi uma cerveja preta (*), algo que não fazia desde que por indicação médica (aquando da infecção do citomegalovirus no figado) me foi aconselhado a não beber álcool.

* dado que não fiquei bebado, só posso deduzir que se tratava de cerveja sem álcool :)


Resultado final:

 
 
Apesar do garmin se ter baralhado todo, foi me possível obter os seguintes tempos de passagem:
 
05 km : 0:22:14
10 km : 0:44:41
20 km : 1:31:27
30 km : 2:17:34
35 km : 2:40:33
40 km : 3:04:31
 
parcelas de 10 km: 44:41 + 46:46 + 46:07 + 46:57
 
***


domingo, 4 de dezembro de 2011

Estreia na Maratona

O dia começou de forma auspiciosa. Às 5h59, um minuto antes do despertador tocar, um sms no meu telemóvel dava o mote: "Boa corrida mano, diverte-te! As dores passam, o feito mantêm-se para o resto da vida".

Tratadas as formalidades higiénicas e alimentares (dois iogurtes com muesli, fruta e um café) saí de casa às 7h45. Às 8h20 cheguei ao estádio 1º de Maio e fui-me arranjar e despachar o saco. Um breve aquecimento e às nove horas em ponto foi dada a partida.

Estranhamente não apresentava quaisquer sinais de nervosismo. Comecei à procura de um ritmo com que me sentisse confortável, para só depois olhar para o garmin  e perceber a que ritmo ia. Os 3 primeiros kms foram corridos entre 4:18 e 4:20 até que surgiu a primeira ligeira inclinação no percurso - subida para o Areeiro - e aí o ritmo apenas caiu para 4:41. Foi o indicador que ia bem e não me sentia a forçar.

Até ontem admitia duas estratégias de corrida, em função da forma como me sentisse à partida. Uma hipótese, era fazer uma corrida defensiva, tendo sempre em mente o objetivo terminar, nem que para isso tivesse que correr sempre próximo dos 5:00/km. A outra hipótese, aquela que se verificou, era ir with flow, ver até onde dava.


Mantive o ritmo controlado, ligeiramente abaixo dos 4:30, tendo como referência uma atleta estrangeira (a 1ª classificada do escalão F45), com a particularidade que ela levezinha me fugia nas descidas e eu - motor diesel :-) - fugia-lhe nas subidas.

Passei à meia maratona com 1h34m18s e continuava a sentir-me bem, mas a descida da Av. da Liberdade e um troço de empedrado no Rossio sinalizaram a chegada das queixas musculares.

Por volta dos 26 km ainda ia com um tempo para menos de 3h10, mas senti uma alteração no corpo. As pernas começaram a pesar chumbo e a partir daí fui a sofrer...até aos 30 km, onde percebi que não conseguiria aguentar mais 12 km naquele sofrimento. Decisão radical. Parei e comecei a caminhar.

Rapidamente mudei o chip. Daí em diante, o tempo final deixou de importar, o objetivo era chegar ao estádio 1º de Maio o menos massacrado possível para que a estreia não se tornasse uma experiência traumática. Isto fez com que esses 12 km fossem percorridos a correr e a andar provavelmente meio por meio (exagero, obviamente).

Acabei com 3h31, ou seja fiz a 2ª meia-maratona em 1h57!!!

Ainda assim não me arrependo da prova que fiz. Arrisquei e não fui feliz, mas consegui terminar sem grande sofrimento.

Tempos de passagem:
05 km: 0:22:14 | 4:27/km | 3:07:38
10 km: 0:44:56 | 4:30/km | 3:09:36
15 km: 1:07:02 | 4:28/km | 3:08:34
20 km: 1:29:15 | 4:28/km | 3:08:18
1/2 m : 1:34:18 | 4:28/km | 3:08:36
25 km: 1:52:39 | 4:30/km | 3:10:08
30 km: 2:16:36 | 4:33/km | 3:12:08
35 km: 2:47:27 | 4:47/km | 3:21:52
40 km: 3:20:02 | 5:00/km | 3:31:01
Marat: 3:31:26

Parciais a cada 5 km: 22:14 / 22:42 / 22:07 / 22:13 / 23:24 / 23:56 / 30:51 / 32:35 / [2km] 11:24

Ficam os ensinamentos desta experiência. Confirmei in loco que a prova começa aos 30 km. Fiquei com a nítida impressão que não abusei em termos de ritmo, fui sempre bem de caixa e de frequência cardiaca, claramente em registo aeróbico, o que me falta é calo - leia-se kms - e físico - leia-se resistência muscular - para este tipo de esforço.

Segue-se uma semana de descanso absoluto. De seguida, vou virar a agulha para o meio fundo curto, isto caso haja campeonato de pista coberta para veteranos no início do próximo ano.

Maratona, provavelmente só para o Outono do próximo ano. Estou tentado a ir ao Porto...

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Resultado oficial:
Tempo oficial: 3h31m38s / 3h31m29s (chip)
Classificação: 372º da geral / 165º M20-39






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Dados do meu Garmin:



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